Refletir sobre as novas formas de sofrimento psíquico e compreender os desafios que atravessam a atuação da Psicologia na sociedade atual foram alguns dos principais objetivos do IV Congresso Nacional de Psicologia do Unifip. Com o tema “Psicopatologias na Contemporaneidade: desafios clínicos, sociais e institucionais”, o evento promoveu um amplo espaço de discussão, aproximando formação acadêmica, produção científica e prática profissional.
Em sua quarta edição, o Congresso reafirma a importância do debate sobre a saúde mental diante das transformações sociais e das diferentes realidades encontradas pelos profissionais nos espaços clínicos e institucionais. A proposta foi estimular um olhar que ultrapasse a compreensão isolada dos transtornos e considere também os contextos sociais, culturais e institucionais nos quais o sofrimento humano se manifesta.
A programação reuniu momentos de discussão e aprofundamento científico, proporcionando aos participantes contato com diferentes perspectivas acerca das psicopatologias e dos desafios enfrentados pela Psicologia contemporânea.
Para a coordenadora do curso de Psicologia, Larissa Suárez, o Congresso representa um momento importante para ampliar a formação dos estudantes e aproximá-los dos debates que atravessam a profissão na atualidade. “Um tema extremamente relevante pois foca principalmente aspectos que envolvem não só a subjetividade, mas questões do cenário social, coletivo e passam pelas possibilidades de diagnóstico, assim como também as mais diversas intervenções no meio clínico, técnico e institucional. Iniciou no dia 30, nós tivemos a abertura científica, em seguida nós tivemos abertura com a doutora Silvana Marciel, que abordou os aspectos mais contemporâneos adentrando não só na perspectiva da patologia, mas também nos aspectos biopsíquicos, sócio e espirituais do indivíduo no contexto de diagnóstico. No segundo dia, nós focamos principalmente nas oficinas, nós trouxemos vários tipos de psicopatologias evoluídas e construídas a partir de perspectivas diversas, e nessas oficinas estiveram os nossos egressos participando”, finaliza.
Conhecimento científico e formação acadêmica
Um dos destaques do IV Congresso foi a apresentação de trabalhos científicos, fortalecendo o incentivo à pesquisa e à produção de conhecimento dentro da graduação. O momento possibilitou que estudantes e pesquisadores compartilhassem estudos, experiências e reflexões construídas a partir de diferentes campos da Psicologia.
Mais do que apresentar resultados, a atividade cria um ambiente de troca entre estudantes, professores e profissionais e contribui para o desenvolvimento de uma formação crítica, investigativa e comprometida com as demandas encontradas na sociedade.
A discussão sobre as psicopatologias ganha especial relevância nesse cenário por envolver questões que não estão restritas ao atendimento clínico. O sofrimento psíquico também se relaciona às estruturas familiares, às relações sociais, às instituições, ao ambiente de trabalho, às transformações culturais e às diferentes condições de vida da população.
Durante a programação, Silvana Marciel abordou aspectos relacionados ao tema central do Congresso e destacou a necessidade de compreender os fenômenos psicológicos considerando a complexidade do indivíduo e do contexto no qual ele está inserido. “Para mim foi muito importante estar aqui, ver a dimensão desse evento, ver toda a responsabilidade com a ética, com a ciência. Falei sobre a questão da psicopatologia na contemporaneidade, os desafios na prática clínica, nas instituições e no social. Achei muito importante a participação massiva dos alunos, inclusive não só participando, mas trabalhando no evento, com toda a garra, toda a equipe também da instituição, reitora, pró reitora, vice reitora, coordenadora de curso, toda a instituição engajada também no evento, lançamento de livro, oficinas, todo um cuidado na preparação das temáticas, dos desafios realmente de um congresso nacional nesta dimensão. Eu realmente fiquei assim, impactada e para mim foi muito bom estar aqui nesse momento, poder contribuir, mas também receber da universidade um pouco sobre o conhecimento, a temática e o cuidado no fazer da psicologia”, finaliza.
Estudantes como protagonistas da produção do conhecimento
A participação acadêmica ocupou espaço de destaque no evento. Além de acompanhar as discussões propostas pelos convidados, os estudantes tiveram a oportunidade de vivenciar o Congresso como espaço de construção e circulação do conhecimento científico.
A apresentação dos trabalhos permite que conteúdos estudados em sala de aula sejam transformados em investigação, reflexão e produção acadêmica. Essa experiência também contribui para desenvolver competências importantes para a futura atuação profissional, como pensamento crítico, comunicação científica e capacidade de analisar diferentes fenômenos psicológicos.
Para a estudante Thayanne Garcia, participar de um congresso ainda durante a graduação amplia as possibilidades de formação e proporciona contato com discussões que estarão presentes na prática profissional. “Foi uma experiência muito boa participar desse congresso, agregou bastante, principalmente por ser voltado à área das psicopatologias, que é uma área de extrema importância dentro do mundo da psicologia. E a gente tem se aprofundado bastante nessa questão dos desafios da clínica, porque fala sobre a questão dos diagnósticos diferenciais, todas as complicações, e desafios que tem dentro do ambiente clínico”, finaliza.
Psicologia, ciência e cultura em diálogo
A programação também contou com apresentação cultural, incorporando diferentes formas de expressão ao ambiente científico. A iniciativa reforçou uma das propostas do encontro: compreender o ser humano a partir de suas múltiplas dimensões e reconhecer que ciência, sociedade e cultura também dialogam na construção do conhecimento psicológico.
Outro momento de destaque foi o lançamento do livro “Psicologias do Nordeste”, ampliando a discussão sobre a produção de conhecimento psicológico a partir das experiências e particularidades da região.
O lançamento dentro da programação do Congresso fortalece a valorização da produção acadêmica e abre espaço para reflexões construídas a partir do Nordeste, de seus contextos, sujeitos, culturas e diferentes realidades sociais.
A vice-reitora do Unifip, Sylvania Palmeira, ressaltou a importância do lançamento do livro Psicologias no Nordeste. “Nada mais oportuno de ter o lançamento de um livro que fala sobre as psicologias do Nordeste nesse congresso. Quando se diz Nordeste, não é regionalizando, e sim falando de um modo geral sobre as psicologias que tem entre culturas, ambientes, e é um projeto inovador. Um projeto muito importante, onde tem coletâneas de vivências, onde existe a parte terapêutica, que é conversar ou ver um pouco do autismo e também do social, as pessoas como elas são dentro das ramificações da psicologia, então foi um projeto inovador, volume 1, onde não vamos ficar no em um só volume, com certeza virão outros com mais temas relevantes, tanto quanto esse das psicologias do Nordeste”, conclui Sylvania.
Formação conectada aos desafios da sociedade
Ao colocar as psicopatologias na contemporaneidade no centro das discussões, o IV Congresso Nacional de Psicologia do Unifip amplia o debate sobre um dos campos mais complexos da atuação profissional e acadêmica.
As mudanças nas relações sociais, nas formas de comunicação, nos ambientes de trabalho e nas próprias maneiras de compreender e expressar o sofrimento psíquico exigem profissionais preparados para analisar cada realidade de maneira ética, crítica e contextualizada.
Com palestras, produção científica, participação estudantil, expressão cultural e produção literária reunidas em uma mesma programação, o Congresso fortalece a integração entre diferentes dimensões da formação em Psicologia.
A realização da quarta edição consolida ainda o evento como um importante espaço acadêmico do curso de Psicologia do Unifip, estimulando o intercâmbio de conhecimentos e contribuindo para uma formação profissional cada vez mais conectada aos desafios clínicos, sociais e institucionais presentes na contemporaneidade.
