O Núcleo dos Direitos Humanos, Relações Étnico-Raciais e Meio Ambiente do UNIFIP vem por meio desta nota dialogar com a Sociedade Civil, a Comunidade Acadêmica, Estado brasileiro e Comunidade Internacional sobre a necessidade de reflexão referente ao dia Internacional da mulher. Fato que nos leva afirmar que 8 de março é o dia internacional de luta pelos direitos das mulheres.
O Dia Internacional da Mulher é comemorado anualmente no mês de março desde 1911, em alusão a trabalhadoras de uma indústria têxtil que morreram queimadas durante uma grande reivindicação em defesa dos direitos trabalhistas igualitários em Nova Iorque, nos Estados Unidos.
O dia 08 de maio é considerada um dia de luta, reflexão e um grito de liberdade que ecoa pela preservação da vida das mulheres. As Mulheres vêm lutando pela sua sobrevivência num país onde mais de 10 mulheres são vítimas de feminicídio por dia. O feminicídio não para de crescer no Brasil, um fato que preocupa muito os defensores (as) dos direitos humanos.
A luta incansável de mulheres sempre esteve presente em todos os países do mundo, por motivos diversos, com pautas convergentes como é o caso de direito ao emprego formal, educação entre outras, assim como existem pautas específicas de realidade social, política e cultural de cada país.
Cabe salientar que somente mais de 20 anos depois, em 1945, que a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que defendia princípios de igualdade entre homens e mulheres. Na década de 1960, o movimento feminista ganhou a força na sociedade mundial, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o “8 de março” foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.
Portanto, o lugar de fala e de protagonismo da mulher na sociedade já é uma realidade, com potencial de ser ampliada e precisa ser respeitada com dignidade. Apesar da violência política e física contra mulher negra, branca, indígena, cigana, quilombola etc., que vem acontecendo no mundo, especialmente no Brasil. Neste sentido, as mulheres negras são as que mais sofrem a discriminação racial, discriminação no mercado de trabalho e violência política na sociedade brasileira por causa do problema de racismo estrutural e institucional. Por isso, é necessário que as mulheres negras ampliem a mobilização contra a violência política.
Apesar de alguns avanços conquistados pelas mulheres, também, é crucial não apenas reconhecer, mas destacar as lutas específicas enfrentadas pelas mulheres negras ao longo da História do Brasil. Os atos de lutas ajudaram na promoção de liberdades individuais, coletivas e contribuíram para a formação de comunidades afro-brasileiras livres, bases de resistência coletiva contra a escravidão. A luta da mulher negra é diária, árdua e invisível.
Daí a necessidade de elas protagonizarem uma chamada pública para compartilhar práticas, experiências e viabilizar denúncias que potencializem o enfrentamento ao racismo, sexismo e à lesbitransfobia que interferem na vida das mulheres negras.
A luta de mulheres no Brasil vem de uma estrada longa, seja no campo como na zona urbana. Os movimentos em prol dos direitos da mulher começaram com a participação de grupos anarquistas do início do século 20, que buscavam, assim como nos demais países, melhores condições de trabalho e qualidade de vida.
Esta luta feminista ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 30, que conseguiram o direito ao voto em 1932, na Carta magna promulgada por Getúlio Vargas.
Já na década de 1970 surgiram no Brasil organizações que passaram a incluir em suas pautas as discussões sobre a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher.
Outra luta importante que mulheres vem travando na sociedade está ligada a questão de igualdade de salário entre homens e mulheres, bem como a paridade de gênero para ocupação de cargos públicos, nomeadamente nos governos, parlamentos etc.
Portanto, os avanços conquistados pelos movimentos de mulheres não param por aqui. Podemos citar criação da Lei 11.340/06, conhecida pela lei Maria da Penha; criação das Delegacias Especializada das Mulheres e entre outros avanços.
Deseja-se a todas as mulheres, justiça, sucesso, dignidade, reconhecimento e tudo o que há de bom e de melhor para elas e suas famílias.
Parabéns para todas mulheres que fazem o Unifip e para todas as mulheres do Brasil e do mundo.